A Fenomenologia e a Psicologia.

“Embora Husserl tenha considerado a Fenomenologia e a Psicologia como ciências distintas, refere-se à possibilidade de relação entre ambas, dando, no início, prioridade à Fenomenologia, ao considerar que a Psicologia, como ciência teórica, encaminha-se, necessariamente para a Fenomenologia. Mas, na medida em que amadurece seu pensamento deixa transparecer a existência de uma relação de reciprocidade ou de entrelaçamento entre ambas, como quando, em sua última obra, publicada originalmente em 1938 afirma que ‘a subjetividade transcendental é intersubjetividade’, fortalecendo a ideia de que os limites entre o transcendental e o empírico já não são mais completamente distintos, pois há uma intersecção entre ambos” (Forghieri, 1993, p. 22).

    O estudo da fenomenologia nas ciências psicológicas promove uma maior confiabilidade empírica e se dar graças ao principal objeto de observação de ambas; o fenômeno humano. O estudo da fenomenologia perpassa pelo desdobramento do fenômeno ao seu nível mais fundamental, ou seja, a sua essência Para isso a fenomenologia se utiliza de algumas ferramentas metodológicas que são, o método da intencionalidade da consciência (que consiste na atribuição de significados às coisas no mundo), proposto por Husserl, a experiência do fenômeno se dar por um processo de significação das coisas a parti da perspectiva do sujeito, e não como o descrevem, o contato com o fenômeno deve ser direto para que se vislumbre sua essência. A fenomenologia vem propor uma essência anterior às significações.

     No campo das ciências psicológicas, o principal fenômeno a ser estudado é o próprio homem, e é a partir de conhecimentos fenomenológicos que o profissional de psicologia pode analisá-lo a parti da experiência em si, isentando-o de qualquer desvio intencional. para que acha um entendimento científico de tal fenômeno. O profissional de psicologia não estará hábil a subsidiar uma terapia se ele mesmo não passar por uma redução fenomenológica, por uma suspensão de suas crenças e valores direcionando sua intencionalidade ao fenômeno em questão, para que possa então entender a experiência do sujeito como ela é, e visualiza-la na sua essência.  A parti dai surge o termo psicologia eidética ou psicologia fenomenológica, aquela que se fundamenta na fenomenologia como um suporte de teorias,  construindo um viés de ciência psicológica de cunho naturalista-experimental e descritivo. 

    A busca pela verdade do fenômeno indica que a psicologia eidética trabalha com sujeito e que a realidade humana é onde se insere o transcendental, aquilo que supera a realidade imediata e lhe confere sentido. Dessa forma, “a fenomenologia constitui o essencial fundamento eidético da psicologia e das ciências do espírito”, tendo o homem como seu principal objeto de estudo.

Os termos “Coisa mesma”,“Atitude natural”,“Atitude fenomenológica” e “Epoché” são imprescindíveis para a compreensão da proposta Husserliana. 

A COISA MESMA: É a tentativa de retorno à essência do fenômeno, ou seja, precede uma descrição do aparecimento dos fenômenos à consciência.

ATITUDE NATURAL: É para Husserl uma atitude própria da psicologia, e se tratava dos métodos das ciências naturais ao qual a psicologia estaria ligada.

ATITUDE FENOMENOLÓGICA: Trata-se da tentativa de investigação da essência por meio da redução fenomenológica, que por sua vez é o método de procura pela essência através da intencionalidade.

A atitude fenológica se dar quando o sujeito se coloca num estado de significação e ressignificação da coisa mesma, ou seja, isenta de qualquer conceito ou preconceito, seja ele cientifico, crença e/ou pessoal e se caracteriza pelo principio da intencionalidade, sendo esta uma intenção consciente, onde estamos sempre dando significado às coisas.

EPOCHÉ: Suspenção de crenças do sujeito para que possa experimentar o método fenomenológico.

 A “coisa mesma” só existe a parti de um sentido que é atribuído para ela. A Epoché se relaciona a esta atitude. Pois se trata da suspenção de todo nossos valores e crenças que possam intervir no significado da coisa mesma, permitindo que o fenômeno seja entendido não com aquilo que eu trago, mas como ele mesmo se revela.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *