A Sociologia de Zygmunt Bauman

Zygmunt Bauman é considerado um dos sociólogos mais importantes do século XX. Suas concepções teóricas abrangem vários objetos e realizam uma interdisciplinaridade das áreas humanas do saber. Posso garantir que se você fizer referência ao pensamento de Bauman em sua redação, usando-o de maneira correta e contextualizada em suas reflexões, isso mostrará uma baita sofisticação argumentativa aos corretores, o que causará impacto positivo.

Como você já viu ao longo deste material, Bauman é autor do conceito de “modernidade líquida”, que pretende explicar as transformações que o mundo passou a partir da 2ª Guerra Mundial até os dias atuais.

Após a 2ª Guerra Mundial (1939-1945), a ideia de progresso da humanidade se esvaiu, visto as arbitrariedades que aconteceram neste período, com destaque para o Holocausto dos Judeus e para os mais de 60 milhões de mortos. Em seguida veio a bipolarização do mundo (bloco capitalista americano X bloco socialista soviético), que irá marcar a Guerra Fria (1946- 1990), no qual a tensão era enorme (pela primeira vez na História, a ameaça de dizimar os seres humanos através do uso da bomba atômica era uma real possibilidade). De lá para cá, temos uma intensificação de vários conflitos étnicos e geográficos no mundo. Acompanhamos o desenvolvimento da “Globalização”, que vem transformando a paisagem social moderna. Estamos presenciando o medo do terrorismo em escala mundial, os conflitos imigratórios, a superação das barreiras geográficas, uma sociedade do e para o consumo, um sistema econômico capitalista que cada vez mais aumenta as desigualdades sociais, etc. O panorama acima configura a modernidade líquida.

Para Bauman, a modernidade líquida é um mundo sem forma, de incertezas, de medos, de ausência da concepção de progresso e da fragilidade nas relações sociais. Este atual momento do período histórico é diferente do que ele denomina de “modernidade sólida”, que começou a ser concebida com o Renascimento (valores do humanismo) e consolidada com o Racionalismo (René Descartes, Francis Bacon, Espinosa) e com o Iluminismo (John Locke, Rousseau, Montesquieu, Voltaire, Kant, etc.).

Na modernidade sólida havia a preocupação de organizar a sociedade por meio de leis civis e do exercício da ética. Existe a rigidez nas relações sociais entre os sujeitos e as instituições sociais. A crença na razão para que o homem dominasse a natureza e intervisse de maneira a proporcionar o bem-estar coletivo. O conhecimento era extremamente valorizado, bem como a sua divulgação (lembrar dos Iluministas que debatiam suas ideias nas ruas e nos salões, além de organizar o saber sobre diversos assuntos – Enciclopédia). Os avanços das investigações científicas e filosóficas eram notórios. As principais concepções políticas do século XIX (liberal e marxista), cada um a seu modo, objetivavam o progresso da sociedade e o melhoramento dela.

Contrapondo-se a algumas características da modernidade sólida (XVI-1945), a sociedade líquida (1946- até os dias atuais) está sem forma definida, um período de transição. A liquidez da sociedade não consegue tomar forma, porque está em constante transformação. Não consegue desenvolver um projeto coletivo de sociedade a longo prazo – a política e suas reivindicações estão cada vez mais fragmentadas. Outra característica marcante para Bauman é que se perdeu a ideia de utopia, o que faz com que se perca o caráter reflexivo em relação à sociedade.

Os indivíduos “líquidos” estão preocupados em buscar o prazer individual, o sucesso individual, abdicando a concepção de bem-estar da coletividade. A atual sociedade está sendo regida cada vez mais pelos valores e regras do Mercado, cujas concepções introjetam no indivíduo as ideias de concorrência, de felicidade no consumo e que o indivíduo basta em si mesmo.

O Mercado não propicia um planejamento de vida, já que os empregos são cada vez mais voláteis, temporários e flexíveis. Se antes alguém entrava numa determinada empresa e se aposentava nela, agora, isso não existe mais (as pessoas passam por várias experiências e são sondadas frequentemente pelo desemprego). O Estado também não consegue colocar em prática aquilo que prometeu, não consegue garantir os direitos sociais básicos. Cada vez mais oferece menos aos cidadãos

Com o advento da modernidade líquida, a estrutura social moderna em torno da fixidez, da razão e do progresso se dilui. Para o sociólogo polonês, as relações passam a ser voláteis. As instituições sociais passam por uma descrença e não são mais pontos de referência. A sociedade estrutura suas relações principalmente pelas conexões virtuais, passando a perder ou a desconhecer as noções de intimidade, de privacidade e de individualidade – há uma necessidade de comunicar tudo nas redes sociais, a rotina do dia a dia (desde um café da manhã a uma briga com a namorada) é compartilhada.

Costumo brincar que o cogito de Descartes mudou para: “estou nas redes sociais, logo existo”. Perde-se o tempo interior, a reflexão com a realidade. Isso tem intensificado a solidão e modificado a maneira da produção do trabalho (cada vez mais é incentivado o trabalhador a realizar suas funções em casa e através de aplicativos de colaboração).

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