Ansiedade básica

As crianças experimentam espontaneamente ansiedade, desamparo e vulnerabilidade decorrentes das ameaças impostas pela natureza e pela sociedade. Sem uma orientação amorosa para ajudar as crianças a lidar com estes temores, elas podem desenvolver ansiedade básica, que, conforme Horney, refere-se ao temor da criança em estar sozinha e desamparada em um mundo possivelmente hostil. As coisas dão erradas em função de todos os eventos e indivíduos participante de uma cultura, nas relações com os pares e especialmente na família, os quais fazem a criança se sentir insegura, desamada e sem valor, dando origem à ansiedade básica.

Quando suas próprias neuroses impedem os pais de amar a criança ou até de pensar nela como o indivíduo particular que ela é, a criança desenvolve um sentimento de ansiedade básica que a impede de relacionar-se com os outros na espontaneidade de seus sentimentos reais, forçando-a a desenvolver estratégias defensivas (Fadiman e Frager, 2004).

KAREN HORNEY

Mal básico

Tudo que perturba a segurança da criança em relação aos pais produz ansiedade básica. O termo utilizado por Horney para estes fatores é “mal básico”. O mal básico vivenciado pela criança provoca espontaneamente ressentimento ou hostilidade básica.

Hostilidade básica

A hostilidade básica é gerada a partir da vivência do mal básico e gera um conflito para a criança, pois a expressão desta agressividade poderia voltar-se para ela em forma de punição, arriscando o amor de seus pais. Segundo Horney, as crianças lidam com a hostilidade, reprimindo-a. Independente da causa, a repressão amplia o conflito e conduz a um ciclo vicioso, pois a ansiedade produz uma necessidade excessiva de afeição e, quando essas necessidades não são satisfeitas, a criança se sente rejeitada, aumentando a sua ansiedade e hostilidade. A criança, e mais tarde o adulto, fica aprisionada neste ciclo de angústia cada vez mais intenso e de comportamento improdutivo.

 As 10 necessidades neuróticas

A partir de sua experiência clínica, Horney distinguiu 10 padrões de necessidades neuróticas, que são baseados em coisas de que todos nós precisamos, mas que se tornaram distorcidas de maneiras diferentes pelas dificuldades da vida de algumas pessoas. Uma determinada estratégia pode tornar-se um aspecto mais ou menos da personalidade, assumindo características de uma pulsão ou necessidade na dinâmica da personalidade. Todas as necessidades neuróticas são irrealistas e estão na origem dos conflitos internos.
1) Necessidade neurótica de afeição e aprovação – Caracteriza-se por um desejo indiscriminado em agradar os outros e cumprir suas expectativas. O mais importante para estas pessoas é assegurar que os outros tenham uma boa impressão a seu respeito. Estas pessoas são extremamente sensíveis a qualquer sinal de desaprovação ou frieza.
2) Necessidade neurótica de um parceiro que assuma a vida da pessoa – Inclui a ideia de que o amor vai resolver todos os nossos problemas. As pessoas em geral desejam ter um parceiro para compartilhar suas vidas, mas o neurótico vai um passo ou dois mais, pois teme desesperadamente ser abandonado ou deixado sozinho.
3) Necessidade neurótica de restringir sua vida a limites estreitos – Esta pessoa contenta-se sempre com pouco, não tem exigências, valoriza a modéstia acima de tudo e prefere viver na obscuridade.
4) Necessidade neurótica de poder – Neste tipo de neurose, a pessoa é desesperada por isso. É o domínio para seu próprio bem, frequentemente acompanhado por desrespeito pelos outros, glorificação indiscriminada pela força e desprezo por tudo que julgue como fraqueza. Existe uma crença na superveniência de sua vontade. Pessoas que temem exercer o poder abertamente podem fazê-lo através do controle obtido pela superioridade intelectual.
5) Necessidade neurótica de explorar os outros – Estas pessoas acreditam que podem explorar os outros e obter o melhor deles para si, manipulam pessoas e situações com base na crença de que os outros são recursos a serem utilizados por eles. Esta neurose também pode envolver o medo de ser manipulado por outros.
6) Necessidade neurótica de prestígio – A autovalorização da pessoa é medida por si, a partir da quantidade de reconhecimento público recebido. Essas pessoas são intensamente preocupadas com as aparências e popularidade e temem ser ignoradas ou sentirem-se deslocadas.
7) Necessidade neurótica de admiração pessoal – Estas pessoas têm uma autoimagem supervalorizada de si mesmas, desejam ser admiradas nesta mesma proporção, sentindo-se desesperadas pelo fato das demais pessoas não compartilharem com esta supervalorização. Estão sempre buscando ressaltar seus feitos, pois temem não ser ninguém, sem importância e sem sentido em suas ações.
8) Ambição neurótica de realização pessoal – Algumas pessoas são obcecadas com a realização. Elas buscam ser as melhores e obrigam-se a realizações cada vez maiores, como resultado de uma insegurança básica.
9) Necessidades neuróticas de autossuficiência e independência – Eles tendem a recusar ajuda e são muitas vezes relutantes em comprometer-se a um relacionamento. Tais indivíduos se tornam solitários, recusando-se a vincular-se a outra pessoa, como uma forma de proteção, após decepções em suas tentativas de encontrar relacionamentos carinhosos e satisfatórios com outras pessoas.
10) Necessidade neurótica de perfeição e não vulnerabilidade – Receosas de cometer erros e de serem criticadas, essas pessoas tentam tornar-se infalíveis. Desejam estar sempre no controle e para isto estão sempre buscando falhas em si mesmas, a fim de corrigi-las antes que se tornem óbvias para os outros, pois não suportam admitir seus erros.

As dez necessidades neuróticas podem ser classificadas nestes três grupos. Cada uma das tendências neuróticas super-enfatiza um dos elementos envolvidos na ansiedade básica:

  • desamparo – na busca de aproximar-se das pessoas;
  • isolamento – ao afastar-se das pessoas;
  • hostilidade – ir contra as pessoas.

Alienação
A alienação do self é uma das consequências mais sérias do desenvolvimento neurótico. A alienação resulta da combinação entre negação repetida da realidade externa e a repressão de pensamentos, sentimentos e impulsos genuínos. À medida que o processo de alienação continua, as pessoas neuróticas perdem contato com o centro do seu ser e não mais podem determinar ou agir sobre o que é certo para elas.

Seus sentimentos podem variar de incerteza e confusão à morte e vazio internos. Rejeição da inveja do pênis Horney discordava gravemente do conceito freudiano de inveja do pênis como fator determinante da psicologia feminina. Ela argumentava que a psicologia feminina tem por base uma ênfase exagerada no relacionamento amoroso e na falta de autoconfiança, tendo pouco a ver com a anatomia dos órgãos sexuais.

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