FENOMENOLOGIA

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE FEIRA DE SANTANA

Osmar Carvalho Ramos

Feira de Santana

2014

“Embora Husserl tenha considerado a Fenomenologia e a Psicologia como ciências distintas, refere-se à possibilidade de relação entre ambas, dando, no início, prioridade à Fenomenologia, ao considerar que a Psicologia, como ciência teórica, encaminha-se, necessariamente para a Fenomenologia. Mas, na medida em que amadurece seu pensamento deixa transparecer a existência de uma relação de reciprocidade ou de entrelaçamento entre ambas, como quando, em sua última obra, publicada originalmente em 1938 afirma que ‘a subjetividade transcendental é intersubjetividade’, fortalecendo a ideia de que os limites entre o transcendental e o empírico já não são mais completamente distintos, pois há uma intersecção entre ambos” (Forghieri, 1993, p. 22).

“Tudo bem, mas porque a gente estuda fenomenologia mesmo?” (C. A. , discente do 4º semestre de Psicologia, UEFS).

Considerando os textos trabalhados e as reflexões realizadas durante as aulas, responda ao questionamento de C.A. Ao elaborar sua resposta, discorra sobre as implicações, relevância e possibilidades de diálogos entre a Fenomenologia e a Psicologia.

RESPOSTA:

    O estudo da fenomenologia nas ciências psicológicas promove uma maior confiabilidade empírica e se dar graças ao principal objeto de observação de ambas; o fenômeno humano. O estudo da fenomenologia perpassa pelo desdobramento do fenômeno ao seu nível mais fundamental, ou seja, a sua essência Para isso a fenomenologia se utiliza de algumas ferramentas metodológicas que são, o método da intencionalidade da consciência (que consiste na atribuição de significados às coisas no mundo), proposto por Husserl, a experiência do fenômeno se dar por um processo de significação das coisas a parti da perspectiva do sujeito, e não como o descrevem, o contato com o fenômeno deve ser direto para que se vislumbre sua essência. A fenomenologia vem propor uma essência anterior às significações.

     No campo das ciências psicológicas, o principal fenômeno a ser estudado é o próprio homem, e é a partir de conhecimentos fenomenológicos que o profissional de psicologia pode analisa-lo a parti da experiência em si, isentando-o de qualquer desvio intencional. para que acha um entendimento científico de tal fenômeno. O profissional de psicologia não estará hábil a subsidiar uma terapia se ele mesmo não passar por uma redução fenomenológica, por uma suspensão de suas crenças e valores direcionando sua intencionalidade ao fenômeno em questão, para que possa então entender a experiência do sujeito como ela é, e visualiza-la na sua essência.  A parti dai surge o termo psicologia eidética ou psicologia fenomenológica, aquela que se fundamenta na fenomenologia como um suporte de teorias,  construindo um viés de ciência psicológica de cunho naturalista-experimental e descritivo. 

    A busca pela verdade do fenômeno indica que a psicologia eidética trabalha com sujeito e que a realidade humana é onde se insere o transcendental, aquilo que supera a realidade imediata e lhe confere sentido. Dessa forma, “a fenomenologia constitui o essencial fundamento eidético da psicologia e das ciências do espírito”, tendo o homem como seu principal objeto de estudo.

Questão

Os termos “Coisa mesma”, “Atitude natural”, “Atitude fenomenológica” e “Epoché” são imprescindíveis para a compreensão da proposta Husserliana.  Conceitue os mesmos e articule-os entre si.

REPOSTA:

A COISA MESMA: É a tentativa de retorno à essência do fenômeno, ou seja, precede uma descrição do aparecimento dos fenômenos à consciência.

ATITUDE NATURAL: É para Husserl uma atitude própria da psicologia, e se tratava dos métodos das ciências naturais ao qual a psicologia estaria ligada.

ATITUDE FENOMENOLÓGICA: Trata-se da tentativa de investigação da essência por meio da redução fenomenológica, que por sua vez é o método de procura pela essência através da intencionalidade.

EPOCHÉ: Suspenção de crenças do sujeito para que possa experimentar o método fenomenológico.

 A atitude fenológica se dar quando o sujeito se coloca num estado de significação e ressignificação da coisa mesma, ou seja, isenta de qualquer conceito ou preconceito, seja ele cientifico, crença e/ou pessoal e se caracteriza pelo principio da intencionalidade, sendo esta uma intenção consciente, onde estamos sempre dando significado às coisas. A “coisa mesma” só existe a parti de um sentido que é atribuído para ela. A Epoché se relaciona a esta atitude. Pois se trata das suspenção de todo nossos valores e crenças que possam intervir no significado da coisa mesma, permitindo que o  fenômeno seja entendido não com aquilo que eu trago mas como ele mesmo se revela.

Questão:

“… e surge assim do nada? Isso é muito vago…” (D. N, discente do 4º semestre de Psicologia).

“… e ele (Sarte) critica Descartes e também propõe um Deus criador? Isso parece incoerente?” (I. S, discente, 4º semestre de Psicologia).

“essa insistência em negar Deus… acho que prefiro os (existencialistas) cristãos” (M. C., discente, 4º semestre de Psicologia).

As falas dos colegas (que aparecem aqui em recortes) surgiram quando discutíamos um conceito central para a filosofia existencialista: A existência. Partindo das colocações dos colegas, das discussões em sala e da compreensão dos textos, analise como os existencialistas concebem a existência e a relação desta com a concepção de essência.

RESPOSTA: A existência é concebida a partir do nascimento, o ser nasce do nada para ser livre. A existência é o ser no mundo, o sujeito se constrói num meio social, econômico e cultural e a parti de suas escolhas ele encontra e realiza sua essência que é a própria liberdade. A filosofia existencialista trás uma concepção onde o homem nasce sem nenhuma essência, e essa vem a se traduzir na sua vida, o que o sujeito é, vai depender das escolhas que ele virá a fazer. O existencialismo produz sua discussão em torno da liberdade do sujeito, em desdobramento aos conceitos existências anteriores. Então tudo é produzido e o que não for, é para os existencialistas como má-fé, ou seja, isso acontece quando o sujeito se apropria de comportamento e valores já existentes. Entre o nascimento e a liberdade há a angustia permanente que faz com que o sujeito sempre se questione sobre sua liberdade e suas dicotomias.  

A existência precede a essência, primeiro o homem existe e depois ele vai se constituindo a parti de suas escolhas. 

Questão:

Essa tal Liberdade

Só Pra Contrariar

“O que é que eu vou fazer com essa tal liberdade
Se estou na solidão pensando em você
Eu nunca imaginei sentir tanta saudade
Meu coração não sabe como te esquecer

Eu andei errado, eu pisei na bola
Troquei quem mais amava por uma ilusão
Mas a gente aprende, a vida é uma escola
Não é assim que acaba uma grande paixão

Quero te abraçar, quero te beijar
Te desejo noite e dia
Quero me prender todo em você
Você é tudo o que eu queria

O que é que eu vou fazer com esse fim de tarde
Prá onde quer que eu olhe lembro de você
Não sei se fico aqui ou mudo de cidade
Sinceramente amor, não sei o que fazer

Eu andei errado, eu pisei na bola
Achei que era melhor tocar outra canção
Mas a gente aprende, a vida é uma escola
Eu troco a liberdade pelo teu perdão


Quero te abraçar, quero te beijar
Te desejo noite e dia
Quero me prender todo em você
Você é tudo o que eu queria”.

Considerando os temas existencialistas: liberdade, sentido da vida, amor e solidão, argumente a favor ou contra a possibilidade de classificação da letra acima como pertencente a uma perspectiva existencialista.

RESPSOTA: Na letra da música a liberdade é colocada como condição do sujeito, que se ver angustiado diante do sentimento de solidão Coloca o sujeito numa perspectiva existencial, quando esses sentimentos são interligados, liberdade, solidão, escolha, sentido da vida. A liberdade contextualizada na música traduz no sujeito uma SOLIDÃO por não ter há pessoal amada. Nessa perspectiva, pode-se concluir que a solidão do sujeito é o produto, a síntese de suas escolhas numa perspectiva existência.

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